Interatividade gerando resultados

O internauta faz a propaganda

06/05/2008 - 17:59 - Imprensa

Mídia & Marketing
Novos meios

Empresas e agê ncias descobrem na interatividade entre o consumidor e os portais da internet um novo canal de mídia. Fenômeno da Web 2.0 deu mais impulso à publicidade na rede

Felipe Laufer

Boa parte do tempo que o brasileiro gastava em atividades de lazer ou vendo televisão é hoje destinada à internet. Somos o povo que mais passa horas navegando na rede – 22h24 por mês, acima de Estados Unidos, França e Japão, segundo pesquisa do Ibope/NetRatings. Entre as preferências desse internauta super-ativo estão sites de relacionamento, portais de vídeo e foto, além dos onipresentes blogs – todo um universo que se encaixa dentro da Web 2.0, conceito que abriga as páginas da internet que oferecem ao usuário o maior grau possível de interatividade.

Glossário
Entenda cada um dos termos da “nova internet”.

Web 2.0 - conceito que define a segunda geração da internet e reforça características como interatividade e colaboração dos usuários com os sites. Dent ro desse conceito está, por exemplo, a Wikipedia, uma enciclopédia cujos autores são os próprios internautas.

Adwords – são os links patrocinados que aparecem no lado direito da página de buscas do Google. Esses anúncios estão lá porque uma empresa pagou ao Google para que eles aparecessem – os que estão em primeiro lugar são os de maior relevância (os mais acessados).

Blog – espécie de diário virtual, que pode ser acessado e comentado.

Marketing viral - técnica de marketing para criar rumor em torno de um novo produto ou serviço. Entende-se que um vídeo, foto ou e-mail vai se espalhar pela internet como um vírus.

Quem trabalha com publicidade já percebeu que o desenvolvimento de conteúdos pelos próprios usuários – seja um comentário num blog ou o gravação de um vídeo – não é tendência passageira: veio para ficar. “O grande barato da internet é ser uma via de duas mãos. Hoje o próprio consumidor pode ajudar a construir o comercial de uma marca”, diz Kika Oncken, gerente de vendas do YouTube, portal de vídeos do Google. Recentemente, a Nestlé se utilizou de uma página do site para uma campanha do achocolatado Nescau 2.0, em que os próprios internautas produziam vídeos para o comercial.

A GessyLever, dona da marca de sorvetes Kibon, colocou no ar uma espécie de reality show com o “Desafio Fruttare”, em que um personagem precisa levar uma vida saudável durante 30 dias. Ele e os internautas interagem com fotos, blog, vídeos e acompanham a dieta do participante. E os exemplos não param. A construtora MRV premiou com um apartamento os internautas que enviaram os vídeos mais votados em seu site. A Mastercard lançará uma campanha convidando os usuários de cartões a contarem histórias pela web.

Embora ainda pequeno se comparado ao valor destinado a mídias tradicionais, o investimento dos anunciantes em internet tem crescido bastante. “No ano passado o crescimento foi de 46%. Para este ano projeta -se algo entre 40% e 60%”, comenta Denilson Farias, diretor de tecnologia e internet da Rede Paranaense de Comunicação (RPC) – a própria RPC registrou crescimento bem acima do mercado, de 76% no ano passado.

“O mercado está crescendo muito e há um amadurecimento dos clientes. As pessoas estão entendendo as ferramentas e vendo os resultados. E não é um mercado que está saturado”, diz Raphael Fontes, gerente de Adwords para o Brasil do Google. O sistema de Adwords (links patrocinados) do Google também funciona no conceito 2.0 – tem um filtro que ordena os anúncios de acordo com a relevância que eles têm para quem faz uma busca.

Diálogo

Além da possibilidade de inovação no marketing, o conceito Web 2.0 é uma ferramenta importante para dialogar com o consumidor, mas pode ser um “tiro no pé” para quem não faz isso direito. “Se eu presto um serviço e o consumidor não está satisfeito, ele vai criar um diálogo negativo que se espalha de maneira viral. E a e mpresa não tem controle sobre isso. Mas, se ela participar desse diálogo, pode se defender melhor”, diz Alexandre Kavinski, da agência Midia Digital.

Kavinski, da Midia Digital, conta que o internauta que participa de redes de relacionamento (como Orkut e Facebook), blogs e YouTube costuma ser avesso a uma publicidade “intrusiva”. “A idéia é interagir com esses consumidores de forma real ou honesta, nunca com algo muito ‘marqueteiro’.”

Da mesma forma, comenta Adriano Brandão, coordenador de operações web do portal RPC, a publicação de posts patrocinados em blogs de sucesso causa estranheza. O Brasil tem 10 milhões de internautas que lêem blogs, o que despertou o interesse dos anunciantes. “Existem agências especializadas em posts patrocinados e marketing viral. Fazem vídeos como se fossem caseiros, ou ilegais, e aquilo se espalha na internet.”

Denilson Farias, diretor de negócios de internet do portal RPC, lembra que há uma grande diversidade de ferramenta s e produtos da Web 2.0 à disposição da mídia – a dificuldade está em saber aproveitá-los como mídia. “O Facebook, por exemplo, tem uma ferramenta que espalha entre seus amigos um produto que você comprou. Agora é preciso saber como vender isso para empresas.” Segundo ele, o conceito 2.0 está evoluindo para o 3.0, na medida em que se pode fomentar a recomendação de um produto. “Eu consigo fazer com que uma pessoa que comprou um celular recomende o produto para mil pessoas. E não é uma recomendação de um estranho, é um conhecido seu.”

Postado em 06/05/2008 às 17:59h na(s) categoria(s): Imprensa. Você pode acompanhar este post pelo feed RSS 2.0. Você pode deixar uma resposta, ou trackback do seu site.

Por Lincoln Alves

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