Vida de estágio, estágio de vida
Por Karine Vargas“O trabalho enobrece o homem”, como disse meu pai, em uma de nossas conversas sobre futuro, profissões e emprego. É uma preocupação que atinge as pessoas que já estão no mercado de trabalho, e simplesmente “apavora” os estudantes - os profissionais do futuro. Em meio às turbulências, instabilidades do mercado no país e da “prostituição” de serviços, há de se entender os porquês do desespero. Haveria lugar ao sol para todos se muitos, mesmo experientes, estão sem trabalhar?
Enquanto as oportunidades estão escassas em todos os meios, ter a chance de aprender e ser ensinado é valioso. Muitos são os acadêmicos que procuram fazer um “pé de meia” na sua área profissional e todos, sem dúvida, se agarram com “unhas e dentes” às portas que se abrem. Seja pelo futuro, seja pelo presente, a vida de estagiário pode parecer difícil, dolorosa aos olhos de quem vê, mas também pode ser atrativa, empolgante e supervalorizada pelos que querem aprender: os próprios estagiários.
O famoso título de “escragiário” está em decadência. Aquela idéia de que os estagiários servem apenas para serviços que ninguém quer fazer está mudando na concepção de empresas realmente profissionais. Segundo pesquisas feitas pela Folha de São Paulo em 2005, o que vale na hora da contratação são as habilidades e a vontade de aprender do estagiário, e não um currículo cheio. Ter criatividade e capacidade de trabalhar em equipe também são pontos fortes citados pelo jornal.
Para Rafael Pessoa, 29 anos, formado em Design de Produtos e coordenador da área de Produção e Desenvolvimento da agência Mídia Digital, o importante é criar profissionais nos moldes da empresa, e considera o lugar que trabalha a mais nova tendência do mercado. “Adapto os estagiários à nossa metodologia, mas antes, preciso que eles tenham o mínimo de conhecimento sobre os programas que utilizamos”, explica Pessoa.
Esta tendência está cada vez mais clara às grandes companhias, que se preocupam em treinar os aprendizes para integrá-los em suas estruturas, procurando dar oportunidades àqueles que queiram crescer da mesma forma que a empresa deseja. E quem não quer?
Thiago Henrique Borges, 21 anos, estudante de Processos Gerenciais e um dos 15 estagiários da Mídia Digital, conta que estar estagiando na empresa o projeta para oportunidades de crescimento únicas. Além de trabalhar com o que gosta (é assistente do setor de Links Patrocinados), diz que o ambiente de trabalho ajuda muito na integração e na vontade de trabalhar. “A Mídia está muito acima das minhas expectativas. A empresa é extremamente profissional e nos possibilita futuro mesmo sendo apenas estagiário”, comenta.
Outro estagiário da agência é Lincoln Cezar Alves, de 20 anos. Ele integra a equipe de Produção, é webdesigner e está na Mídia Digital desde janeiro deste ano. Já trabalhava nesta área antes e achava o trabalho repetitivo e explica que, atualmente o que faz lhe deixa muito satisfeito. “O ambiente possui um clima agradável e as atividades são muito bem distribuídas”, diz Lincoln.
O que realmente importa hoje não é manter estagiários em regime de exploração e sim apostar dinheiro e tempo para treiná-los. Além de custar menos contratar uma pessoa em fase de construção profissional, vale muito a pena ensinar alguém a vestir a camisa da sua empresa. Adaptando o ditado popular, mais vale um estagiário na mão que dois profissionais voando.


