Entendendo Arquitetura da Informação
Tuesday, October 30th, 2007A idéia de arquitetura está presente desde os tempos mais primitivos de nossa existência. Envolve todo e qualquer projeto construído e desenvolvido pelo homem, como um simples lápis ou até uma cidade inteira. E tamanha abrangência não deixaria de envolver a ferramenta que garante nossa sobrevivência e convivência com os demais seres humanos: a comunicação, e mais precisamente seu conteúdo, a informação.
Apesar disso, a nomenclatura “arquitetura de informação” é recente, embora ela já venha sendo aplicada há muito tempo, como na diagramação de um jornal impresso, por exemplo. O conceito só ganhou força nos últimos anos graças ao crescimento da internet, e ao aumento exponencial do número de informações que trafegam nas vias da web. É uma arquitetura com foco exclusivo no usuário, e envolve variados tipos de conhecimento, pois a missão do profissional dessa área é organizar os dados do meio digital para esse internauta, transformando complexidade em simplicidade. O arquiteto de informação elabora o mapa e o fluxograma do site para que o usuário trilhe seu próprio caminho de forma rápida e eficiente, em busca daquilo que procura nesse endereço eletrônico.
No início desse processo, o trabalho do arquiteto resulta na criação dos wireframes, onde os elementos principais das páginas são posicionados e organizados. Muita pesquisa é feita para se chegar a esses wireframes, seja através de reuniões e briefings fornecidos pelo próprio cliente, ou através de análise de sites concorrentes. Leva-se em conta o tipo de negócio da empresa/cliente, quais informações ela deseja passar, e principalmente quem é e como se comporta o consumidor dos produtos ou serviços dessa empresa. Em se tratando de reformulação de sites já existentes, faz-se necessária a realização de testes de usabilidade, onde serão definidos os principais pontos a serem trabalhados nessa reconstrução.
Os wireframes são a base do trabalho de criação, onde o esqueleto do site ganha corpo. Seja nessa fase ou nas demais partes do processo, durante o desenvolvimento e a programação, a presença do arquiteto de informação é constante, para que possíveis ajustes sejam feitos sem comprometer a estrutura elaborada pelo arquiteto. Mais testes de usabilidade são realizados com um protótipo, para afinar o novo site com o principal foco desse trabalho: o usuário.
Pensar no trabalho de arquitetura de informação deveria ser um procedimento básico para qualquer empresa que pretende atrair a atenção de seu público, mas não é o que sempre acontece. “Muitas vezes as empresas priorizam mais suas políticas de negócio a atender as necessidades dos usuários”, afirma Melqui Jr., arquiteto de informação da Mídia Digital. Melqui complementa que “isso é um erro que mais cedo ou mais tarde acaba modificando a política da empresa, pois ela percebe a evasão dos usuários e conseqüentemente a perda de vendas”.
Melqui Jr. é jornalista de formação, e há quatro anos trabalha como arquiteto da informação. Ele considera sua profissão como uma das mais multidisciplinares que conhece, e acha complexo relacionar quais conhecimentos básicos um arquiteto de informação deve ter. “Acredito que ter muita experiência com navegação na internet seja o mais básico de todos… Uma condição necessária é o grande nível de curiosidade, não ter medo de questionar as coisas por mais sagradas que elas sejam”, completa Melqui.
Com um trabalho voltado exclusivamente para o usuário, como se comporta o arquiteto de informação em tempos de web 2.0, onde o internauta colabora cada vez mais na geração de conteúdo na internet, e determina com mais controle quais informações ele deseja receber? Melqui Jr. acredita que “tudo que pode favorecer e melhorar a experiência do usuário só ajuda ainda mais o trabalho da arquitetura de informação, e com certeza se hoje as ferramentas de colaboração são fáceis de usar é porque o trabalho de AI foi bem feito”.
É com trabalhos bem feitos que a área de arquitetura de informação vai amadurecer e se fazer mais presente nos projetos de construção de websites.


