Second Life: uma visão de dentro para fora
Wednesday, July 18th, 2007Uma visão “da agência” sobre o ambiente virtual que popularizou o mundo em 3D na internet
Como falar de um ambiente virtual que conta hoje com mais de 6 milhões de usuários cadastrados e que teve uma movimentação de aproximadamente 1,5 milhões de dólares em 24 horas (segundo dados do próprio site) no dia 24 de maio de 2007? Assim mesmo: este é o Second Life - o “sistema fantasia” que pode gerar dados bombásticos, mitos, falsas e também verdadeiras oportunidades.
Desenvolvido em 2003 e mantido pela empresa Linden Research, Inc., o ambiente virtual é formado pelo cliente e servidor e possibilita um comércio virtual fazendo com que empresas utilizem esses recursos para divulgar suas marcas, expondo de forma “virtual” o que pode se tornar real. É o caso da Mídia Digital, que se utiliza dos recursos proporcionados por esta nova estratégia, estudada desde dezembro do ano passado e concretizada a partir de janeiro deste ano.
É fato que, desde que “chegou” ao Brasil, o Second Life abriu portas para clientes “antenados” com essa mídia emergente e alternativa. Diferente da TV, rádio e outras mídias, a utilização da web somado ao “boom” do Second Life mudou a forma de pensar de empresários que querem mostrar ou apenas testar seus produtos num mundo virtual, resultando num potencial midiático.
Sua naveçagão em 3D, a existência de uma representação de cada usuário no sistema (conhecidos no Second Life como “avatares”), a participação ativa dos residentes que ajudam na construção do ambiente, a detenção da propriedade sobre suas criações, ferramentas de comunicação disponíveis entre os usuários e a existência de uma economia própria são elementos fundamentais para classificar essa tendência de internet do futuro, explica o especialista em marketing Alejandro Dicovsky, coordenador de novos negócios da Mídia Digital em São Paulo.
Mas essas são apenas algumas das características encontradas no Second Life e que talvez o tornem tão “apetitoso”, principalmente aos olhos dos “devoradores” de oportunidades. E uma boa chance, obviamente, jamais pode ser desperdiçada. Com as possilidades amplas do Second Life, a simples presença de uma marca nesse “mundo” já a identifica como inovadora. A inclusão de um cliente nesse projeto é vista como importante: além do cliente estar aberto à nova tendência, gera a integração empresa/cliente.
O jornalista Melqui Jr, arquiteto de informação da agência Mídia Digital, conta que propôs para algumas corporações a inclusão delas no Second Life, e os que aderiram ao sistema foram muito bem sucedidos. Ele explica o porquê: “Sendo uma plataforma virtual, o Second Life propicia uma introdução de usuários a esse novo mundo, aumenta a curiosidade pela “novidade” e, conseqüentemente, as chances de um ótimo negócio. Mas vale ressaltar que a entrada de empresas sem uma ação que levem os usuários à interação é o mesmo que gritar no vácuo, ou seja, não ressoa.“
Já o publicitário Cláudio Palmieri, um dos especialistas em planejamento e inovação da Mídia Digital, acredita que estar à frente das novidades é o que vale. “Nosso objetivo é fazer dos nossos clientes os primeiros, os tornando tendência de mercado”, comenta Palmieri.
Mas as opiniões são divergentes. Segundo matéria publicada em julho deste ano pela revista de economia “Forbes”, o público do Second Life não tem crescido como o esperado, o que causa decepção. A reportagem destaca a dificuldade em monitorar estatísticas, o caráter adulto de grande parte do conteúdo e a fragilidade do controle de propriedade intelectual dentro do ambiente.
Outros dados mostram variações com o número de usuários. Cerca de 40 mil avatares estão simultaneamente conectados. Com mais de 7 milhões de cadastros, apenas 507 mil eram ativos e ficaram mais de uma hora on-line no mês de maio. Numa dimensão de 650km², o Second Life tem uma ocupação de 62 habitantes por km²; ou seja, um campo tão imenso para pouca densidade populacional. É claro que esses números refletem ainda o início do projeto. Com mais empresas participando e com novas ações focadas para os usuários do Second Life esse número certamente irá subir.
Seja como for, é inevitável o interesse pelo Second Life, afinal ele trás o novo, o que ninguém costumava ver se comparado aos sistemas arcaicos de poucos anos atrás. A motivação das pessoas no mundo on-line tende somente a crescer, e sempre que algo se torna grande, tende a ser alvo de análises e especulações, assim como de oportunidades e brechas para o desenvolvimento de novas formas de negócios.


